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| Rascunho/estudo sobre fotos minhas |
Poucas pessoas tem paciência para si e para o espaço em que habitam, eu tenho toda calma do mundo para observar, crio com interferência do que sinto, minha pele, olhos, mãos, ouvidos, paladar, tudo interfere no que vou expor, preciso estar tão conectada com meu espaço quanto comigo mesma.
Hoje tomei um café amargo, acho que precisava disso para lembrar de coisas que aconteceram ao sabor em questão, para escrever esse texto precisei do café e da sujeira de cima da minha mesa, não me incomodei com nada, até gostei da minha "arte contemporânea" formada por papéis com letras de música, contas para pagar, rabiscos de desenhos com putarias explícitas, tudo isso regado a muito pó, sentei na mesa e quase não quis arrumar, tudo tão meu, tão do meu momento. Mas não tinha como começar a trabalhar em cima daquilo. Arrumei desgostosa.
Muitos me admiram de longe, acham legal, mas poucos tem coragem de fazer parte dessa minha loucura-criacional, é difícil de lidar com esse meu lado, ele esta presente a todo momento, estou sempre pensando na minha próxima criação, fazendo sexo penso na posição que poderia render uma foto boa, um desenho bom, de um ângulo e cor fodas. Olhando a bunda da moça da frente eu penso em como ela estaria bem sem roupa para eu analisar de perto aquele ser que se mexe no meu campo de visão, cada poro seria analisado por esses olhos monstruosos. Quero conhecer cada um em seu mais intimo detalhe, como se assim eu conseguisse chegar mais perto da natureza de cada um. Ando com fixação pelo corpo, e o sentido que ele faz ao que eu sou.
A pouca vergonha esta na cabeça de cada um, gente fechada e mal resolvida. Não falo apenas de sexo, é muito além, e sexo nos últimos tempos para mim passou de um mero prazer corporal para algo além, algo perto dessas palavras...sentimento/alma/corpo, todos ligados a outro sentimento/alma/corpo de alguém que também quer me dar prazer.
Parece algo extremamente superficial falar sobre corpo, beleza e sexo no mundo de hoje, isso se deve ao fato de que de tanto falarmos sobre esses assuntos tenhamos caído na tal banalização dele. Apesar de que ser habitual falar sobre isso não quer dizer que estejamos agindo naturalmente ou saibamos algo sobre o fato de que estamos mudando também sexualmente. Será que estamos nos permitindo agir como bem entendemos? Existe também uma cobrança externa de uma tal de "liberação sexual", todos podemos tudo, e a questão é que esquecemos do principal, saber o que queremos, para o que queremos, e como queremos, tudo isso contando com respeito por si e pelo próximo. Demais? É! Por isso gosto de tudo isso que estou estudando, percebendo e observando nos seres humanos (sim, me refiro como se eu não fizesse parte, sou uma cientista E.T. que veio de uma galáxia distante estudar vocês e dominar o mundo!).
Aqui me refiro a um outro conceito de beleza, o da descoberta de si mesmo, da aceitação de cada corpo e suas limitações, é o contrário do superficial, está muito além do que vemos. Quanto mais me pego na natureza do que sou na essência 'corpo e alma', mais me amo, mais me quero, mais quero todos embolados na minha suruba imaginária. Esse meu amor exacerbado pelos seres humanos é tão forte quanto meu ódio por todos eles. É bem equilibrado esse meu sentimento de amor/ódio, preciso estar as vezes de longe para perceber o que ninguém mais percebe, então é aí que entra meu ódio, preciso odiá-los para me distanciar o suficiente para enxergar cada troço como realmente é. Nem sempre eu preciso e posso tocar em quem desejo, apenas observar de longe e imaginar o toque suave da pele, imaginar o cheiro mais forte daquela pele já me satisfaz. Morenos, loiros, negros, brancos, de qualquer cor, quero senti-los numa só penetração, na minha arte. Alguns acham que isso é putaria, já eu acho que isso é criar, deixar-se sentir sem pudores, ser simplesmente, minha mente fértil não deixa por menos, e vai além do que já existe, não preciso de muita faísca para atear o fogo.
Se assusto, se afasto, se não estão preparados para mim, paciência, o importante é que eu pisei no acelerador e não tenho freio, os fracos, despreparados, saiam da frente, só fique ao meu lado quem realmente tem culhão para aguentar a Jaguatirica-Maluca-Extra-Terrestre-Tarada, quem pode me oferecer e retribuir o amor que eu tenho para dar. Não estou disposta e nem quero jogos superficiais, medir forças com quem esta em outra frequência, vim aqui para mudar, para abrir caminhos, nada menos do que questionar essas cabecitas pobres que rodam por aí sem sentido algum. Para os que já vão indo com rabinho entre as pernas, que fique a dúvida...aquela cruel, do tipo "será que teria sido bom?".
Amo vocês seres humanos.
