quarta-feira, 30 de janeiro de 2013

Limpando a alma com música

Estava escrevendo a lista de supermercado ontem, sentindo um certo vazio, algo me faltava.
Desde domingo sinto falta de uma música, preciso de uma música que me desafogue os sentimentos, eles estavam espremidos com várias emoções, o episódio fatídico do final de semana ainda me choca e machuca, por mais que eu tente achar uma razão para tudo, e por mais que exista essa razão, meu lado emocional não entenderá.
Então chegou meu amigo Flu, me manda um vídeo lindo do ballet dos pássaros, lindo! Mas ainda assim não é minha música. Tomo mais um mate. Vejo que ele mandou mais um link. Abro, começo a escutar, e me entrego, sinto uma alegria no peito, felicidade que machuca, escuto o filho brincando na sala, e me entrego novamente, entendam isso sem romance, não estou como doida dançando pelo apartamento (ainda), estou simplesmente sentindo a música, por dentro meu corpo estava se deliciando.
A música é uma grande brincadeira, assim meu filho que estava brincando vem ao meu encontro, e pede para dançar. Rodopiamos pela sala enquanto a música tocava suavemente, os cães enaltecidos pulam e latem com alegria (agora sim estou dançando como uma doida). Deito no chão, abraçando meu pimpolho, os cães nos lambem, os gatos nos cantos olhando, observam de longe, com um certo medo de adentrar na brincadeira.
A música termina, a felicidade se mantém, agora mais amena, não tão explosiva como antes. A paz invade a casa junto do silêncio. Eu quase que infantil e bobinha, assim como a música, olho para meu filho e digo que o amo, ele responde com sorriso sincero.
Cada ser retorna ao que estava fazendo, cada um ocupa seu espaço na casa. Eu me volto ao mate amargo, meu filho para a brincadeira de super-heróis, os cães e gatos deitam a minha volta. Tudo normal, não fosse o fato de que a energia de todos esta revitalizada.


Um salve a música, que vem docemente tratar nossa alma quando mais precisamos. Obrigada Flu pelo momento maravilhoso, mesmo que você não tenha estado presente nos proporcionou grande felicidade.

E claro...fiquem com a tal música! :)




domingo, 27 de janeiro de 2013

A morte e seus questionamentos sem respostas

Somos seres frágeis, frágeis demais...

Richard Avedon
 Estava escrevendo um texto para o blog, totalmente interno, falando sobre meu íntimo, esse blog foi feito pra que eu pudesse ter uma válvula de escape, uma maneira de colocar para fora tudo que eu quisesse no momento que eu quisesse. Estava eu completamente envolta em mim mesma, pensando sobre minhas coisas, estava até um pouco indisposta, reclamando da vida, temos uma mania chata de reclamar de tudo e não valorizar o que temos. Até que então recebo a notícia da tragédia aqui no sul, da boate de Santa Maria. Primeiro pensei que não fosse nada, não vou negar que até tirei um sarro logo que soube, não tinha noção da tragédia toda, fui ler a respeito e vi que a coisa tinha sido grave. Fiquei com um sentimento estranho o dia todo, mesmo que não tenha sido afetada de maneira direta, me dói saber que tantos jovens se foram de um dia para o outro, cada ser que se foi tinha uma vida, uma energia, uma família. E os que ficaram sempre estarão marcados pela história, vidas mudaram com isso. 

Mais uma vez fui colocada de frente ao assunto mais estranho e interessante para mim, a morte e como ela afeta a vida dos outros que ficam, penso muito a respeito, a vida é muito breve, e não sabemos quando iremos embora, com certeza nenhuma daquelas pessoas sabia que morreria naquela noite. E sempre me vem aquelas velhas perguntas, para onde vamos depois? Os valores que temos aqui serão levados no caixão? Estamos aproveitando ao máximo? Eu estou aproveitando ao máximo meus momentos?
Não importa a idade, a raça, quem era, ou o que fazia, a morte vem para todos. Por debaixo da sua pele sempre haverá uma caveira, igual a de todo mundo.
Esse tipo de tragédia deve servir para refletirmos também sobre sentimentos internos, sei que existem culpados por tudo isso que esta acontecendo, mas tenho comigo que cada um tem seu tempo por aqui, e tem coisas que infelizmente acontecem. Nos resta apenas tentar fazer o melhor sempre. Culpados e vítimas sempre existirão. 
Mas existe algo maior, aquilo lá dentro, que esta me fazendo refletir o dia todo, e que foi despertado por essa triste história de hoje. O que vamos levar depois que nossa vida acabar? Você esta levando consigo tudo que gostaria?
Algo em mim se movimentou, algo em mim me fez querer viver mais, apesar da tristeza toda, fico feliz por estar seguindo o que acho correto dentro dos meus princípios. É bom poder colocar a cabeça no travesseiro e dormir em paz comigo mesma, é bom saber que estou viva.

Deixo meus pêsames a todas as famílias das vítimas. Estou mandando muita energia positiva para todos que de alguma maneira estão sofrendo com tudo isso. Não existem palavras que possam aliviar a dor, somente o tempo. E aos que se foram...que estejam em paz.