segunda-feira, 24 de dezembro de 2012

O texto dos 3 dias

ALERTA:
Este texto é atemporal, partes dele foram escritas em dias diferentes, tudo misturado mas tentando seguir a ordem cronológica dos fatos. Comecei a escrevê-lo na sexta dia 21, e talvez termine no domingo dia 23. No entanto, como diz a matemática, a ordem dos fatores não altera o produto.

Fotógrafa Ellen Von Unwerth

"Mãe, acho que me apaixonei por um homem desgarrado de pátria, louco como só ele e eu, te digo minha mãe, fique feliz, ele cheira bem, é limpo, me trata bem, e vem do mesmo mundo que o nosso, o mundo dos que querem algo novo, um mundo de verdade, dos que procuram ser e não apenas passar. Eu o amo, e partirei com ele a qualquer momento, talvez eu volte um dia, depois que ele me absorver toda em música, e eu o absorver para dentro de mim e disso nascer mais um mundo novo, o nosso. Te amo. De sua filha inconsequente."

Sempre começo um texto sem saber sobre o que vou falar, estava com vontade/necessidade de escrever, mas sem algo que fizesse deslanchar minhas palavras abusadas. E dessa vez elas não quiseram sair tão abusadas.
Hoje acordei camuflada, como um camaleão me escondi no meio da multidão, hoje não quero aparecer para meus caçadores. Só hoje eu quero me manter dona de mim mesma. Não quis atender amigos, tão pouco quero falar com desconhecidos.
Me mantenho sóbria desde quarta-feira, e desde então mantenho-me também um pouco mais reservada (talvez a astrologia, posicionamento da lua, ou sei lá o que explique o motivo disso). Tenho vontade de ler, escrever, assistir um bom filme, ouvir música boa sem me preocupar em ter de analisa-la. Quero absorver informação que seja útil para o meu ser.

{tempo para observar a rua e chegar em casa}

Sim, comecei escrevendo no caminho do shopping para casa. Como já disse antes, sou contraditória, assim como estou me sentindo fechada e sem vontade de falar com pessoas, também tenho uma necessidade enorme de estar entre pessoas sem ter de me comunicar com palavras. Gosto desse desprendimento, posso apenas observar e ser observada.
Me perco nos pensamentos ao assistir algum programa de tv. Penso.
{tempo para me fixar no tempo....tomo banho, vejo um filme, almoço às 17h}

Entro no face, leio recados, e posts aleatórios de pessoas aleatórias, tudo TÃO igual, TÃO chato, TÃO cansativo, nada que me acrescentasse. Dei risadas das piadinhas da internet, sempre tem uma pra me fazer rir. Então, fui lá responder meu ask, vício diário que me faz desopilar e muitas vezes faz com que eu me questione, sim me fazem perguntas fantásticas, mas nem todas eu posso responder por questão de "eu tenho noção".

Acordei tarde, dias sem ter meu filho por perto, aproveito para sair da rotina. Rotina? (eu mentindo para mim mesma). Assisto um dvd sobre a vida do meu artista favorito, Freddie Mercury-The great pretender, um bom documentário sobre um artista único, e que fez a diferença. Almoço às 17h de novo, choro sozinha no banheiro por qualquer motivo, preciso mesmo é tirar de dentro toda angústia dos últimos dias, organização na mente não é tarefa fácil para quem transborda de sentimentos novos diariamente.
Converso com minha mãe-amiga, chego a conclusão de que nos meus 15 anos eu tinha mais coragem de assumir quem eu era do que agora, retomo um pouco dos sentimentos da época, e digo a mim mesma que não perderei essa coragem.
Recebo uma ligação, um amigo querido, aquele que me pega nos braços e me enche de carinho e ternura quando eu mais preciso. Vou ao encontro do ser amado, e ele me surpreende com o presente mais lindo, um pedaço dele. Ok, sem romantismos loucos, ele me deu seu disco novo. Eu estava ansiosa para ouvir o que eu já tinha ouvido quando ainda estava cru, e sim, já tinha me emocionado mesmo com o inacabado, sabia que o que tinha para vir seria algo....algo...do jeitinho que eu gosto.
Então, chego em casa, depois de bebida, comida, risadas, abraços, sorrisos sinceros e acalanto. Coloco o disco.
Silêncio na primeira música. Enquanto eu terminava de arrumar a mala aquele som me sugou a concentração, parei, embasbacada. As lágrimas saíram naturalmente.
Segunda música começa. Acho que não quero mais escrever a respeito, perdi as palavras, não quero descrever agora, quero sentir. Amanhã (domingo) vou escutar na viagem e escrevo a respeito.

{tempo para amar e me deixar levar por sentimentos novos/dormir e sonhar com meu mundo novo}

Trecho da escrita feita durante a viagem.

Acordei às 6:45, depois de apertar três vezes no soneca. Passei a madrugada conversando sobre coisas úteis e inúteis com meu parceiro noturno de conversas intermináveis.
Após dormir por 2h, fui para a rodoviária, viajar para minha cidade, estava em um estado de graça, e ansiosa por vários motivos. Bueno, já me perdi nesse texto, são tantas informações de dias diferente, já escrevi aqui e ali com lembranças do passado.
Entrei no ônibus e esperei pela passageira que viajaria ao meu lado por 3h, ela chegou, alemoa, gorda, e feliz, me deu um alívio ao perceber que a viagem não seria um martírio, nada pior do que ter uma pessoa que não nos deixa a vontade durante uma viagem toda. Apertei no play, ouvi a primeira música como se fosse a primeira vez que eu estivesse escutando tudo aquilo, meus olhos lacrimejaram, de novo, e a cada compasso o agito interno aumentava.
Ouvindo as tais músicas me dei conta de que hoje pela manhã eu fiz sexo com todas elas, elas me agraciaram e tocaram no meu corpo nu de maneira feminina, senti e fiz com que o ato sexual/musical fosse daqueles revigorantes para o dia que se seguia, esses de quando o amor e a paixão se encontram, eu estava intimamente envolvida. Me perdi em mim mesma e me encontrei em alguma rua esquecida, conectei-me com um lado meu que estava desplugado. Me pergunto, por que isso tocou tanto em mim? Por que isso tocou tanto minha alma?
Posso dizer que relaxei sem perder a concentração do que se passava dentro e fora, outro espaço de tempo. As cordas, flauta, vozes....me conduziram suavemente para onde eu quero.
Denso, escuro, claro, leve, contraditório, assim como a música te toca com mãos suaves, também te dá uma surra de realidade, nua e crua. Acho que me vi no meio dessas características, outra época, outro país, talvez outro mundo. Não interessa, o que interessa é que me fez bem. Obrigada meu querido Vagner Cunha por me proporcionar momentos intensos, de pureza, felicidade, surpresa, tristeza, e certa melancolia, tudo na medida certa com seu disco "Além".

Eu sempre volto para te olhar....e de uma maneira meio doida eu te amo.


Últimos minutos para a meia noite, e meu texto chega ao fim, nem ficou tão longo por ter sido escrito em 3 dias, acho que ele ficou curto por eu estar sentindo a mesma coisa nesses últimos dias, eu fui tomada por uma mudança interna, e uma certa melancolia, lembrei de tantas coisas passadas, ao mesmo tempo de que planejei o futuro e tracei metas para esse próximo ano. Essa história de fim de mundo, nova era, ano novo, acho que foi importante pra mim, não sei o que é verdade ou mentira, mas pra mim foi útil, sou egocêntrica, ao menos aqui no blog, que a terra é tomada por uma rainha apenas, EU mando, EU sinto, em algum lugar tenho que ser totalmente minha. Retomei coisas do passado que foram importantes, foi como se eu pegasse uma mala para fugir de algum lugar, e enchesse do que era mais necessário para sobreviver. Peguei o que me interessava e deixei de lado o que não queria mais.
Quanto a tudo que aconteceu, todos que vieram nesses últimos 3 dias, agradeço, foram de extrema importância, e com certeza está dentro da minha "mala imaginária da vida".
Agradeço também a todos que fizeram parte da minha vida durante esse ano, que foi turbulento mas feliz, cheio de mudanças, do jeito que eu gosto, todos que estiveram ao meu lado, mesmo que por um curto período foram importantes, talvez eu ou vocês não saibamos disso, mas sempre o outro faz a diferença em algum momento. Um obrigada especial ao meu filho Érico que me faz acordar todos os dias tentando ser um ser humano melhor, meus irmãos por me darem sempre a oportunidade de ensinar o que eu um dia aprendi batendo a cabeça na parede, e minha mãe que de um jeito ou de outro está sempre comigo, mesmo quando eu insisto em seguir no trilho errado.
Bom final de ano. Que todos vocês que assim como eu estão a refletir, sejam tomados de muita luz e energia boa, cada um com sua vibração, a necessária para se estabelecerem e chegarem aonde quiserem e merecerem.
Acabou, fim.

segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

Não me arranquem as pernas para poupar espaço no avião

Foram tantos sentimentos, tantas emoções que eu até poderia parafrasear o Rei agora, "se chorei ou se sorri, o importante é que emoções eu vivi"...só que não, não vou parafrasear ele.

 O importante mesmo é que estou indo de acordo com minha convicções, minha personalidade um tantinho forte não me deixa ser manipulável. Isso que me importa. Entrei num barco desconhecido, no meio de um tempestade em alto mar, e consegui sair quase que ilesa.
Tentar se encontrar em meio a tanta maluquice é missão quase impossível. Meu trabalho está intimamente ligado ao meu sentir, ao meu ser, é profundo, não é de fora pra dentro, e sim de dentro para fora.
Nesses últimos meses, estive fora do meu centro, vivendo coisas que não são normais para mim, sentindo na pele o que é a vida aí fora, com pessoas que nem sempre tem os conceitos básicos (pra mim ao menos) , aqueles conceitos que aprendemos na vida, e na escola o professor cansa de falar, como respeito pelo coleguinha, amor, sinceridade, justiça, lealdade, amizade. Conheci pessoas incríveis que me mudaram, mas também conheci seres escrotos e rastejantes, que vivem as custas do próximo. Não me arrependo, não sou do tipo que fica lamentando, mas preciso de um tempo para digerir tudo isso. Organizar o que quero realmente para minha vida, quem eu quero ao meu lado nesse momento, e o principal, quem eu não quero ao meu lado, quero me ouvir, lá dentro a Isabel fala comigo, ela fala forte, grita, e diz o que quer, porém o barulho em volta é muito alto, está difícil escutar.
Entendam não é fácil ficar tentando entrar numa roupa que não te serve né? Ou usar um sapato 34 quando você usa 36.
"no baile só foram pessoas que calçavam 34, USE 34".
PORRA EU USO 36!! (esse é meu atual sentimento, arrancando roupas e sapatos apertados e gritando "PORRA" internamente)
Vou tomar meu banho e termino a escrita que me sufoca, preciso logo me deixar sair de dentro de mim mesma;
{mergulho a cabeça na banheira com água, escuto o silêncio que me faltava} Alívio.

Continuando....
Descobri terras desconhecidas, inclusive na internet, ou principalmente nela.
Descobri o porquê não gosto de twitter, essa coisa de ter limites de palavras não é pra mim, hoje está tudo tão limitado, o tempo anda limitado.

{não me arranquem as pernas para poupar espaço no avião, não aceito mais limitações no meu espaço}


Não gosto de ficar longe das pessoas, mas também não posso com tanta exposição do meu lado interno, leia "lado interno" como exposição de tudo meu que vem de dentro, nesse caso minha voz, que é praticamente meu corpo aberto da forma mais bizarra possível, com os órgãos todos para fora, nojento, mas real. Sou exposta demais, gosto mas não gosto desse meu lado. Gosto de expor o que penso, gosto de escrever, se não gostasse não estaria aqui agora escrevendo e postando nesse mundo de #todomundojuntogrudado que é a internet. Porém, não gosto de ser vista por tanta gente assim, fico acanhada, não sei se sei agir naturalmente diante disso tudo.
Dividir, compartilhar, ajudar o próximo com minhas experiências, transmitir em palavras todo tipo de sentimento, por isso escrevo, e é isso que faço com a música.
HÁ...é aí que me refiro. Cantar pra quê, e por quê? O que digo quando canto? Não quero fazer um show sem significado, no mínimo conceitual eu tenho de ser. Creio que eu esteja entrando em uma das minhas crises "repertorísticas". Básico.

/Vou pegar uma água e volto/

Esse texto vem em partes, são muitas coisas.

Bilhete de uma amiga que fez a diferença na minha vida!
{Esse bilhete acima foi a querida Patricia Rezende que deixou um carinho escrito num dia de manhã. Uma pessoa rara, dona de uma pureza que não vejo a muito tempo, uma pessoa verdadeira e doce.}

Amizade, amor e respeito.
Palavras gastas em vão pelas pessoas, todos falam sobre, mas poucos entendem seu real significado.
Acordei hoje pensando sobre a liberdade, e o que é ser amigo de verdade, até onde vai a liberdade que damos aos intímos?
Costumo ser sincera e falo o que penso a maior parte do tempo, a outra parte do tempo eu tenho noção, porque falar demais também cansa, tudo tem limite e saber usar o silêncio é uma dádiva, e se tratando dos tempos atuais, em que dar opinião é algo tão comum quanto cagar, usar o silêncio no momento certo é um sinal de pura sabedoria.
Amizade, é dar o seu melhor ao outro ser, amizade verdadeira é tão difícil de acontecer quanto um grande amor, portanto quando a tiver, cuide bem. Alguns pensam que por se tratar de um amigo, pode se falar o que quiser, chegar a hora que quer, as pessoas tratam as vezes pior seus amigos do que os desconhecidos. Não tinha que ser ao contrário?
Amo e respeito meus amigos, aqueles que me são leais, e me dão reciprocamente o que entrego a eles.
Quero eles ao meu lado! Viu como é importante escrever? Dei-me conta do que preciso, e de quem quero ao meu lado nesse momento de turbulências.

Obrigada por lerem, se você chegou até aqui, com certeza gosta tanto de twitter quanto eu.

Escutem para digerir melhor as palavras lidas...