Minhas mãos andam feias, não faço unhas, nem tiro o esmalte vermelho velho, ressecadas, descuidadas, minhas mãos, quem diria, adoro mãos, nunca deixo minhas unhas curtas, porém, deixei elas quebraram com meu desleixo. Não há de ser nada, farei as unhas amanhã, e esse esmalte velho sairá com acetona.
Quanto ao descuido que venho notando em mim, esse sim, não se resolve num dia.
Ando me abandonando pelos cantos da casa a tempos, numa confusão de mim mesma, amando e desamando, sendo e não sendo, não estava sabendo me amar de novo, andei confundindo trabalho e vida pessoal, e ainda esqueci que tenho que cuidar da Isabel.
Não sei o que escrever, ou como descrever o que sinto, é uma mistura de tristeza, por estar deixando para trás um vício de vida, mas também uma felicidade e uma excitação por saber que tem algo muito bom por vir. Estou conectada com algo tão bom, mas tão bom, que chega a doer em mim. Prazer ligado a dor é sempre o melhor. E o medo que me pergunta a todo minuto: "Você vai conseguir se manter sóbria e consciente mesmo no meio da tempestade?", meu medo, esse que vive colocando dúvidas, que só servem para me tirar o foco.
Ando também muito clichê, inclusive a música que estou escutando (tem o link abaixo do texto), despertou esses sentimentos todos e me fez escrever hoje, é total clichêzão, mas dane-se, não é pela letra (até porque essa letra é bem bobinha), é pelo som, pela música, sentimento que ela me passa, não sei o porquê, mas ela tocou exatamente onde estava sensível hoje. Tenho sentido saudade, de todo mundo, pessoas que moram longe, e mesmo os que moram perto e que eu quase não vejo. Não tenho tempo, tenho tido um ritmo de vida que não é meu habitual, ainda não sei lidar com essas coisas todas, desculpem o sumiço.
E claro, os sentimentos que não podem faltar nessa receita maluca, felicidade e tristeza, são muito comuns e em pessoas normais eles se apresentam um por vez, não é meu caso (tudojuntomisturado), os opostos que fazem os seres humanos serem tão voláteis, estou entre esses dois polos já faz algum tempo, não tenho tido meio termo, e quem esta ao meu lado nesse momento (coitados!) estão sentindo na pele o que é ter alguém tão "bipolar" a sua volta.
Eis o momento em que eu agradeço a paciência de amigos e familiares que me aguentam! Obrigada! Sem vocês eu provavelmente estaria alguns anos atrasada no meu aprendizado de vida.
E você criaturinha, você sabe a mudança que tem feito na minha cabecinha? Não, você nem sabe a importância que te dou, o que importa nesse momento é que eu sei, sei que tenho que fazer minhas unhas, pintá-las de vermelho vinho, deixá-las gigantes de novo e sair do buraco que eu mesma cavei e me joguei para dentro, sempre faço isso, por sorte dessa vez não joguei a terra em cima de mim.
Dos altos e baixos em que vivo, vou criando meus próprios obstáculos, eu mesma os crio, portanto eu mesma os tiro do caminho, e sem tudo isso eu não seria eu, não sentiria tanto tudo, e é sentindo que consigo subir no palco e passar com verdade o que vi.
"Eu senti na pele, calem suas bocas imundas quando forem falar de mim, eu sinto o que canto, sem ser atriz, sou eu sempre quando canto".
Posso cantar uma merda, mas que foi verdadeiro foi, saibam disso.
Quanto a mudança que esta chegando, mudarei se julgar necessário, (acho na verdade que já é obrigatória uma mudança nesse ponto em que me encontro), sempre serei a mesma em essência, quem em conhece sabe, são só pedrinhas no caminho.
Mudança, entre na minha vida, seja bem vinda novamente, só você eu deixo entrar a hora que quiser, desde que leve consigo tudo que não quero mais e que me traga coisas novas, aquelas que me acrescentam.
Boa semana!
