domingo, 6 de outubro de 2013

Instintos

"Instintivamente me desconstruo para ser quem realmente sou por inteiro."
Fotografia de Olivier Valsecchi


Leve, suave, absorvendo, fazendo parte de uma fase de vida que ainda não sei nomear. Cada dia sinto mais necessidade de me aproximar de tudo que me faça bem, só me permito sentir, puramente.
Por instinto me afasto do que possa me fazer mal, mesmo quando para todos pareça algo inofensivo, sei ver além do que está na superfície, aprendi isso da pior forma, levando muito por acreditar no que me diziam, agora acredito no que eu vejo e sinto a respeito do algo “bom”. Por mais que pareçam agressivas minhas atitudes, mais uma vez aviso, estou agindo por instinto, sumo se julgar necessário, protejo os meus objetivos com uma agressividade quase animal, me fecho para alguns, me ergo e aponto meus olhos nos olhos de quem tenho respeito, sem medos, já passei por muitas coisas desagradáveis por sentir medo de ser quem eu sou, não quero mais isso, não preciso disso.

Briguei, perdi amigos, ganhei inimigos, vivo cercada por uma linha tênue de pureza e escuridão. Pessoas se admiram, pessoas se intrigam, pessoas não se entendem, respeitam ou não umas as outras, as vezes sentem algo sobre os outros que nem elas próprias sabem definir o que é,  se é bom ou ruim, sobra para pessoas que enxergam nitidamente os sentimentos decidir, para apenas se defender do que pode ser nocivo a sua saúde e vida. Não importa onde eu olhe, existe uma paisagem poética, um lindo jardim com muitas flores, que guarda atrás uma grande floresta, repleta de árvores imensas, mato fechado, que não quer ser tocado, apenas apreciado.
Tenho sentido meu limite para me curvar a adaptações, sou diferente, e gosto de ser assim, me sinto uma E.T nessa terra de ninguém que é nosso planeta, então a quem eu quero enganar? Sigo minha maré, não sigo boiada, quem me conhece entende e aceita, caso contrário, a porta de saída esta aberta. Tenho uma família e amigos que são assim, sei que existem muitos sentindo dessa maneira nesse mundo gigante, só preciso me encontrar cada dia mais comigo mesma para acha-los.
Ontem, estava ainda sentindo uma incomodação por não me aceitar, não é fácil bater de frente contra toda uma realidade já existente e bem fixa no mundo atual. Pensei, organizei os sentidos e resolvi deixar fluir isso que ferve em mim, dedico minha arte a essa nova mudança, se eu for contra minha natureza meu trabalho todo vai por água abaixo. Trabalho no repertório como se fosse minha vida para ser dita em um show, exagerado? Claro! Como tudo em mim.

Cada ser tem sua vida diferente do outro, o que é certo para mim, pode ser o errado seu. Não se surpreenda se eu chutar para longe a “oportunidade da minha vida”, sei bem onde quero chegar, e sei bem escolher minhas oportunidades sem ser oportunista. O universo conspira quando estamos na frequência certa, sinto a vibração dentro quando me conecto com meu ser mais íntimo, felicidade leve, um sentimento de paz preenche, nada pode dar errado quando sinto assim...estou no caminho certo.
Estou em casa, escrevendo, tomando chimarrão, na janela minha gata sentada me olha fixamente, meu cachorro brinca com o outro com leves mordidas, deitam e rolam sem barulhos, o filho brinca no pátio enquanto a outra gata esta deitada admirando de longe a brincadeira agitada, com uma vontade grande de voar em cima dos brinquedos. Eu dentro do meu laboratório de ideias entre uma música no teclado e outra escrita, escuto músicas o tempo todo no meus ouvidos, e medito sobre os passos a seguir, tudo esta sendo digerido aqui dentro, esse é meu cenário perfeito, dentro dessa salinha de trabalho existe a grande floresta negra enquanto no jardim a frente as flores vivem a colorir.

Meus leves passos são densos e deixam pegadas pesadas por onde passo, nada importa mais, esse ano está acabando, penso sobre o que foi com muito aprendizado, só tenho a ganhar nos anos que vem. Planos, família aumentando, casa florescendo, harmonizando trabalho e sentido de viver, tudo indo como deve ser.
Pessoas vem e vão, poucas ficam, essas eu abraço como se fossem meus entes queridos. Amo tanta gente, filho, irmãos, mãe, madrasta (ou boadrasta, hehe), pai, amigos, amantes, conhecidos que deixaram marcas, todos foram de grande importância até aqui, mesmo os que me machucaram. Cada um tem seu motivo para aparecer em nossas vidas, e as vezes é necessário ir até o outro lado do mundo para encontrarmos essas pessoas, e isso realmente aconteceu comigo, pessoas que mudaram meu jeito de ver o Brasil lá no Japão, pessoas especiais, daquelas que eu nunca quero esquecer. Obrigada.

Tudo que é feito com alma tem vida própria, como se ali eu deixasse um pouquinho de mim, e dentro de quem consome minha arte ali estou, quieta ou inquieta, pulsando, movimentando algo que nem eu sei o que é, planto sementes em mentes questionadoras como a minha. Faço perguntas que vão além do “porque isso acontece comigo?”, quero saber muito mais do que acontece comigo, quero passar adiante o que sei e aprender mais sobre o que existe dentro e fora.


Sigo. Boa sorte para nós. 

terça-feira, 13 de agosto de 2013

Ressaca moral e diarreia mental


Para não perder o costume, para quem ainda não sabe eu adoro me contradizer, e ao contrário de ontem, onde aprendi, estava aberta para a vida, hoje acordei terrível, como se nada fosse funcionar, todos são inacreditavelmente idiotas, me senti exposta demais, com vontade de sumir debaixo das cobertas e só viver com meus animais, só eles me entendem, hoje estou odiando os seres humanos, como disse num outro texto, as vezes tenho uma necessidade de exclusão total das pessoas, um retiro espiritual me faria bem. É como se eu acabasse sendo consumida por energias externas, como se me sugassem até o último suspiro, acredito muito nessa história energética, não vemos, mas sentimos ela, e por trabalhar inteiramente com isso diariamente, para minha vida e trabalho, vejo o quanto preciso me alimentar de energia limpa, caso contrário me sinto assim, como estou agora, farta de tudo. Não quero mais ser vista, começo a desaparecer na multidão. Puft! De um dia para o outro mudei completamente meu olhar sobre a vida, eu mudei, mas a vida não mudou em nada, e as pessoas na volta continuam as mesmas, a monstra acordou e saiu batendo em todo mundo, cansei de distribuir amor, quero que todo mundo se foda!

Ufa...me sinto melhor! (Daqui a pouco passa minha revolta, daqui a pouco sou toda amores novamente.)

Faz bem reconhecer que não temos todos os dias um saco grande o suficiente para aguentar tudo que vem a nós, faz bem respeitar-se também no seu limite de aceitação, me exponho e demoro a me recuperar de toda a fragilidade, sou menininha nessas horas, e também me perco no mar de futilidades em que nós vivemos, me assusto com tanta vulgaridade desnecessária, principalmente na cidade provinciana de Porto Alegre. Estou cansada da mesmice diária, cansada de acordar e ver a mesma coisa acontecendo, cansada de tentar sempre dar o meu melhor e me sentir sozinha para muitas coisas, principalmente tratando-se de trabalhos. Que porra de cabecinhas vazias essas que me aparecem, que ideias inúteis, que egocentrismo, que chatice de músicas, que falta de arte, que falta de princípios, quanta mentira, quanta gente lambendo o saco do outro por meio centavo, quanta enrolação, quantos palpites idiotas, quanta falta de ideais, estou frustrada com tudo e todos, quanta gente só pensando em si. 
Faz bem ser maduro, e eu poderia muito bem agora buscar uma explicação plausível para minha explosão de mal humor dos infernos, mas não estou nem um pouco afim de maturar o motivo da minha raiva interna, quero mais é ser criancinha e chorar como um nenê, gritar, espernear a fazer minha mãe comprar a boneca que eu quero, me jogar no chão e fazer xixi para chamar a atenção. To super afim de ir para outro lugar e começar a vida do zero para que ninguém saiba quem eu sou, por que hoje eu to super afim de me esvaziar de tudo, de todos os sentimentos de desamor, de falta de carinho, to carente, to maltrapilha, desvalorizada, to o cu do cachorro com câimbra, sem serventia, sem nexo algum, procurando um motivo que me faça ir até mim de novo e correr atrás do que interessa, se ainda me interessar, to sem vontade de me entender, imagina entender os outros, quero mais é que se explodam. 

{Minutos para acalmar a moça, respiro, penso, e volto quando estiver menos desgostosa. Enquanto isso ouçam a música que me acompanhou até aqui.}




Agora tendo um lapso de consciência, me permito apenas sentir o que me passou hoje, penso, talvez seja em função de toda a mudança, ainda me sinto desconfortável com algumas coisas, e acho que não servi muito bem em algumas "peças de roupas", sinto que ficaram um pouco apertadas, não consigo me mexer...Rasgo tudo em pedacinhos, e penso, ou estou gorda ou a roupa está pequena, chego a conclusão de que estou com roupas infantis e um corpo de mulher. Preciso de lugares, pessoas, e trabalhos que me aceitem como sou, e me vejam como uma mulher, sim, eu cresci, e não, não quero mais ser tratada como criança. Minha reação antagônica entre maturar meus reais motivos de raiva e meu estado de maturação para a vida se batem nesse momento. Vale mais a pena pensar sobre os assuntos e não sair por ai chorando e esperneando (desculpa mãe, quase te liguei).
Parei de escrever, reli tudo novamente, e olhando por outro ângulo vejo que sim, foi ótimo ter xingado tudo e todos agora, ouvi músicas até achar essa, que fala exatamente o que eu precisava. Tudo que é sincero vale a pena, e tá faltando isso por ai, verdade.
Tá tudo certo, só preciso curar minha feridas, e como boa felina, lamberei todas sozinhas até ficarem totalmente curadas. Preciso de silêncio, e mais do que nunca me recolher na conchinha.
Depois da hibernação volto...

Ahhh e sim, antes que eu me esqueça...música, só você pode salvar o mundo.


domingo, 11 de agosto de 2013

Cortando as garras da jaguatirica (parte II) - Assumindo




[Sempre ajo pela emoção do momento, gosto de ser assim, minhas escritas são todas desencadeadas por uma emoção forte, sejam elas simples ou complexas, emoções inventadas por mim ou por outros. Um simples cair de colher no chão pode desencadear um profundo questionamento interior, sinto, me fazem sentir, vivo dessas profundezas da alma, me alimento delas e vomito tudo em forma de arte, aquela que eu chamo de minha.]

Mais um dia se foi, e com ele uma garota se foi também, uma menina insegura, envergonhada de si, medrosa, que não se assumia (apesar de sempre dizer o contrário!). Assumir, eis a palavra que me faltava, difícil ser sem assumir-se de fato, saber onde quero chegar e enfrentar as consequências, saber que não estou sozinha, e que também estou sozinha para muitas outras coisas. De forma sábia, doída, e dramática (como não poderia deixar de ser) a menina desprendeu-se da vergonha de chorar, e incrivelmente não parou até agora, pois é necessário deixar escoar toda a mágoa do mundo e pelo mundo. Choro não apenas pela tristeza, mas pela libertação, limpeza, força, felicidade, o tamanho da felicidade é tão grande que chega a doer, já passaram por isso? Estar em estado de graça, feliz, mas tão feliz, por saber que estou indo para onde quero, libertando não só a mim, mas aos outros na minha volta, percebendo um canal que sempre existiu, mas que nunca tinha sido acessado de forma saudável. Dessa vez me senti segura, já tenho minhas rédeas nas mãos, sei meu norte, apenas precisava ter a mesma experiência da minha última conversa novamente, foi com a mesma pessoa, o mesmo assunto, porém dessa vez fomos muito mais longe, mais profundos, eu e ele estávamos muito mais firmes, enxergando um ao outro, e ouvindo a experiência alheia para acrescentar.

Na noite foi necessária aquela aproximação que ninguém explica, mas existe, algo aconteceu que até agora ao entrar no quarto sinto aquela sensação, e choro. Depois de longas conversas, de ouvir e não piscar ao imaginar cada imagem do que o ser me dizia, eu vi e senti tudo como se estivesse ali, sendo ele. Somos tão parecidos e tão diferentes, vivemos em momentos diferentes a mesma coisa, numa união quase que improvável, nem eu nem ele entendemos o real motivo para tanto, mas decidimos em um pacto silencioso de amizade/amor nunca deixarmos ninguém acessar aquele ponto que nós achamos, um cantinho no alto da montanha, escondido de tudo e todos, ali onde vamos procurar apoio quando o resto do nosso mundo estiver caindo.

"Deixe o chão desmontar-se sobre seus pés...e voe".

Me senti de todas as maneiras, e foi muito difícil receber exatamente na mesma moeda o que eu sempre dei, dói ouvir a verdade, dói saber que te quero mas não posso ter, dói saber que eu quero ser tua, mas não posso ser, precisamos primeiramente ser de muitos outros(as), precisamos sermos de nós mesmos, pois ainda nem nos temos, ter um ao outro como, se ainda não somos completos sozinhos?
É difícil nós que vivemos em uma sociedade cheia de vícios, convencional e machista, falarmos sobre liberdade, verdade e sinceridade. É muito fácil cairmos em armadilhas que nos seguram por anos, viver na inércia, acomodados pelas facilidades mundanas. Sentir ciúme, possessividade, querer só para nós o que não é nosso, me peguei tendo de lidar com tudo isso, e foi tão difícil sair dessa máquina que me consumia, foi tão difícil dizer a mim mesma para soltar minha alma para que ela pudesse ser livre como eu sempre desejei. Tive de sentir isso por um homem para que eu visse que isso na verdade era reflexo da forma que eu tratava a mim mesma. Eu me aprisionava e aprisionava os meus. É aí que nós entramos na vida um do outro, para quebrarmos esse ciclo vicioso e doentio, para nos reinventarmos a partir do "chacoalhaço" que tivemos de dar na vida do outro.
A verdade, sinceridade, elas cortam, e como num parto machucam mas aliviam, pari um filho, um novo sentimento. Como se eu estivesse casando comigo mesma numa cerimônia incrível, me "fechando" para abrir somente quando eu quiser, para quem eu julgar merecedor das minhas verdades.
Vazio, ele apareceu depois da noite de percepções de cores púrpuras, acordei de manhã tendo de deixar ele ir, me deu medo de perdê-lo, me deu um medo maior ainda de me perder por ai, -tem tantos caminhos agora, e se eu quiser escolher todos, eu posso!- Ainda assim vi que era obrigatório deixar ir ser livre, para que eu também pudesse ser. Pensei no início tratar-se do vazio de não o ter, horas mais tarde notei que o vazio era meu, de mim mesma, onde eu estava todo esse tempo?
Em seguida, depois de perceber o real motivo do vazio interno, fui preenchida quase que imediatamente por uma leveza harmônica, e senti que não me perderia, pois eu tenho meu foco claro, e não, eu também não o perderia pois eu sei, ele sabe e ponto. 
Tendo de voar alto, com uma vontade louca de me jogar, correr, gritar, quebrar tudo que eu tinha, minha regras, todas caindo por terra, acordei com sede de tudo, sem a percepção da dor, já que eu estava amortecida de tanto carinhos e socos no estômago. Nesse dia de hoje não tive oscilações como costumo ter, me mantive com os olhos lacrimejantes e com o soluçar do choro na voz, percebendo cada vibração, cada ser que me olhava, passava perto, eu sabia quem era, como era e para o que era.
Evitei o dia todo estar no mesmo ambiente da conversa, não arrumei a cama, com a intenção de reviver tudo aquilo mais tarde, acessar o que eu ainda não tinha tido coragem de ver, e precisaria ver sozinha.
 Saí de casa e procurei pelos meus, longas conversas esclarecedoras com a família, definindo o que já estava definido, apenas relembrando para o que eu tinha vindo. Todos, cada um a sua maneira aceitaram minha condição, muitas famílias comuns não entenderiam, e nessas horas me sinto abençoada por saber que tenho minha base familiar tão forte e unida. Na minha loucura, descobri que tenho que sair de perto de todos que eu posso usar de "muleta", preciso ser a equilibrista na corda bamba, sem nada além dos braços para me manter equilibrada. É difícil na nossa sociedade hipócrita assumir que temos momentos em que temos que ir atrás do que é certo para nós, e manter distância do que pode ser um vício é fundamental, portanto vejo agora com mais clareza, preciso ir para longe para poder estar perto.
Saber que não estou sozinha, nesse sentimento de estar-afim-de-quebrar-as-regras-do-convencionalismo me deixa aliviada, fico tão feliz ao conhecer gente que sente como eu. Esses eu quero perto, quero que façam tão parte de mim e da minha vida quanto eu da deles, quero dar tudo sem pedir em troca. 



Sinta-se a vontade para ser você ao meu lado, venha quando quiser, some, suma, me ame, ame ele, ame ela, construa, destrua, recomece, renasça, volte, chore, ria, me agrida, me toque, esteja entre minhas pernas, esteja entre as pernas dele, esteja entre as pernas dela, olhe, abuse da verdade, se entregue ao que é ou não é, não importa , te dou tudo que é teu por merecimento, sou tua como nunca serei de mais ninguém. 
Amando? Sim, absolutamente embebida nesse sentimento.







quarta-feira, 7 de agosto de 2013

Pensando bem que mal tem?


Rascunho/estudo sobre fotos minhas
As pessoas se encantam com as obscuridades da minha arte, com meus princípios malucos para criar, com minha promiscuidade proibida por tantos, caralhos, bucetas, tetas, mamilos e pelos, tanto se encantam quanto repudiam. A grande maioria tem um certo medo/desdém pela arte com o corpo, e o pior, não respeitam nem conhecem seu próprio corpo, tocar cada parte, sentir o cheiro de cada lugar, saber do que ele é capaz, é meu, sou íntima de mim mesma, assim como sou da minha casa. Gosto de limpar meu apartamento, fazer faxina eu mesma, para conhecer cada cantinho do meu espaço, é aqui que eu habito, preciso desvendar tudo, gosto de sentar em lugares diferentes para enxergar de ângulos diferentes meu cubículo que chamo de casa. Me pego as vezes deitada no chão, com o rosto colado no piso, olhando a poeira se mexer, assopro, e vejo o próximo espaço que elas vão ocupar, sou assim, de uma curiosidade incansável.
Poucas pessoas tem paciência para si e para o espaço em que habitam, eu tenho toda calma do mundo para observar, crio com interferência do que sinto, minha pele, olhos, mãos, ouvidos, paladar, tudo interfere no que vou expor, preciso estar tão conectada com meu espaço quanto comigo mesma.
Hoje tomei um café amargo, acho que precisava disso para lembrar de coisas que aconteceram ao sabor em questão, para escrever esse texto precisei do café e da sujeira de cima da minha mesa, não me incomodei com nada, até gostei da minha "arte contemporânea" formada por papéis com letras de música, contas para pagar, rabiscos de desenhos com putarias explícitas, tudo isso regado a muito pó, sentei na mesa e quase não quis arrumar, tudo tão meu, tão do meu momento. Mas não tinha como começar a trabalhar em cima daquilo. Arrumei desgostosa.
Muitos me admiram de longe, acham legal, mas poucos tem coragem de fazer parte dessa minha loucura-criacional, é difícil de lidar com esse meu lado, ele esta presente a todo momento, estou sempre pensando na minha próxima criação, fazendo sexo penso na posição que poderia render uma foto boa, um desenho bom, de um ângulo e cor fodas. Olhando a bunda da moça da frente eu penso em como ela estaria bem sem roupa para eu analisar de perto aquele ser que se mexe no meu campo de visão, cada poro seria analisado por esses olhos monstruosos. Quero conhecer cada um em seu mais intimo detalhe, como se assim eu conseguisse chegar mais perto da natureza de cada um. Ando com fixação pelo corpo, e o sentido que ele faz ao que eu sou.
A pouca vergonha esta na cabeça de cada um, gente fechada e mal resolvida. Não falo apenas de sexo, é muito além, e sexo nos últimos tempos para mim passou de um mero prazer corporal para algo além, algo perto dessas palavras...sentimento/alma/corpo, todos ligados a outro sentimento/alma/corpo de alguém que também quer me dar prazer.
Parece algo extremamente superficial falar sobre corpo, beleza e sexo no mundo de hoje, isso se deve ao fato de que de tanto falarmos sobre esses assuntos tenhamos caído na tal banalização dele. Apesar de que ser habitual falar sobre isso não quer dizer que estejamos agindo naturalmente ou saibamos algo sobre o fato de que estamos mudando também sexualmente. Será que estamos nos permitindo agir como bem entendemos? Existe também uma cobrança externa de uma tal de "liberação sexual", todos podemos tudo, e a questão é que esquecemos do principal, saber o que queremos, para o que queremos, e como queremos, tudo isso contando com respeito por si e pelo próximo. Demais? É! Por isso gosto de tudo isso que estou estudando, percebendo e observando nos seres humanos (sim, me refiro como se eu não fizesse parte, sou uma cientista E.T. que veio de uma galáxia distante estudar vocês e dominar o mundo!).
Aqui me refiro a um outro conceito de beleza, o da descoberta de si mesmo, da aceitação de cada corpo e suas limitações, é o contrário do superficial, está muito além do que vemos. Quanto mais me pego na natureza do que sou na essência 'corpo e alma', mais me amo, mais me quero, mais quero todos embolados na minha suruba imaginária.  Esse meu amor exacerbado pelos seres humanos é tão forte quanto meu ódio por todos eles. É bem equilibrado esse meu sentimento de amor/ódio, preciso estar as vezes de longe para perceber o que ninguém mais percebe, então é aí que entra meu ódio, preciso odiá-los para me distanciar o suficiente para enxergar cada troço como realmente é. Nem sempre eu preciso e posso tocar em quem desejo, apenas observar de longe e imaginar o toque suave da pele, imaginar o cheiro mais forte daquela pele já me satisfaz. Morenos, loiros, negros, brancos, de qualquer cor, quero senti-los numa só penetração, na minha arte. Alguns acham que isso é putaria, já eu acho que isso é criar, deixar-se sentir sem pudores, ser simplesmente, minha mente fértil não deixa por menos, e vai além do que já existe, não preciso de muita faísca para atear o fogo.
Se assusto, se afasto, se não estão preparados para mim, paciência, o importante é que eu pisei no acelerador e não tenho freio, os fracos, despreparados, saiam da frente, só fique ao meu lado quem realmente tem culhão para aguentar a Jaguatirica-Maluca-Extra-Terrestre-Tarada, quem pode me oferecer e retribuir o amor que eu tenho para dar. Não estou disposta e nem quero jogos superficiais, medir forças com quem esta em outra frequência, vim aqui para mudar, para abrir caminhos, nada menos do que questionar essas cabecitas pobres que rodam por aí sem sentido algum. Para os que já vão indo com rabinho entre as pernas, que fique a dúvida...aquela cruel, do tipo "será que teria sido bom?".
Amo vocês seres humanos.


quinta-feira, 25 de julho de 2013

Cortando as garras da jaguatirica (parte I)


Escrevi vários textos durante o dia, todos se contradizem, parece que houve uma revolução dentro de mim, uma bagunça interna do que eu quero e busco nas minhas relações todas, indagações foram aparecendo, e não pararam até agora, estou completamente aberta, sensivelmente me expus a mim mesma, vi cada pedacinho do que eu tenho, nem tudo eu achei bom e bonito, não que o feio seja ruim, faz parte também a aceitação do que somos, mas alguns hábitos que me fazem muito mal faço questão de mudar, remar contra a maré não vale a pena, até por que não faz sentido eu ir contra mim mesma.  Mudo a rota, simplesmente quero outro caminho, pode ser? Pode. Ok, próxima etapa...

Desentupindo a pia, tirando cabelo do ralo, cortando as garras, tirando as amarras, baixando a guarda, vendo que nem todos são seres que podem me machucar, até por que não sou tão frágil assim como vejo, aceitando que eu posso me apaixonar e continuar sendo forte, vendo que ter medo é normal, aceitando que sou um ser humano, e pela primeira vez, pasmem, não senti vontade de desistir do que quero, pelo contrário, vi que posso sim dar a volta por cima, não me "mixei", dessa vez não farei como sem faço, no primeiro probleminha salto fora e fujo, tá fácil demais ser assim.

Precisou vir alguém que nem me conhecia direito pra fazer essa porra toda acontecer? Sim.
Precisei ficar longe de mim e dos meus para me dar conta de que tenho tudo que preciso aqui dentro? Sim.
Precisarei fechar um ciclo para começar o que eu quero? Sim.
Tem que ser muito "clitóriuda" pra mexer na ferida, ver que eu mesma criei a merda de ferimento e dizer que fiz isso por inexperiência associada a burrice? Sim.
Estou disposta a ser mais amigável com os coleguinhas? Sim.
Ok, próxima etapa....

Estou com medo, parece que entrei em um quarto escuro, vontade de chamar a mamãe e sair daqui, tremo dos pés a cabeça, sou só eu e eu, mas é aqui que preciso estar, conectada com essa parte do meu ser, é aqui que sinto que vai acontecer tudo, aceitando minhas verdades, estando sozinha e aprendendo a lidar com minha solidão necessária, ser sozinho não é ruim, ser só é o primordial para bastar-se e não necessitar de outro e sim querer estar ao lado por livre e espontânea vontade.
Meu trabalho esta totalmente ligado a minha emoção, agora já imaginou como é para uma pessoa assim  ter de fazer de conta que não sente nada por ninguém? Tipo mulher-gelo, mulher de aço, mulher-não-sinto-nada-por-ninguém, como se sentir fosse me deixar presa para sempre. Criei um personagem para mim mesma, da "pegadora", a menina que "pega mas não se apega" (minutos para rir da vergonha alheia), a coisa mais imatura da face da terra! Vivo falando de liberdade mas não sei ser livre. Vivo querendo liberdade mas tenho medo dela. Então vem o "caçador" e solta a fera, a jaguatirica que viveu presa não sabe pra onde ir, fica sem ação. O máximo que ela conseguiu fazer foi dar umas arranhadas, uns rugidinhos de desconforto e ficou ali, imóvel. Fiquei embasbacada com tamanho despreparo, me dei conta de que passei minha vida toda presa nas minhas relações, sejam elas de amizade, namoricos, familiares, uma dependência doentia surgiu na minha frente, e toda a pose de jaguatirica independente foi pelos ares, virei um gatinho miando pelo meu pote de comida. Ridículo.



Não consegui ainda escrever tudo que me levou a chegar aqui, nesse sentimento de fragilidade/força/paz interior, pensei, pensei, e resolvi guardar muito para mim, existem momentos que as vezes são tão valiosos que temos que deixar guardadas no cantinho mais íntimo.
Me assumindo cada dia mais, indo em direção ao caminho que parece mais certo no momento.
Escolhendo a dedo quem vai estar ao meu redor nesse momento de transição.
Me cuidando para poder ser e ter o que quero num futuro próximo.
E a história não se estanca por aqui...
Boa sorte pra mim.





quinta-feira, 11 de julho de 2013

A arte de transformar o erro em verdade

"A voz esta sempre ligada a excelência no canto erudito. Comecei por ai, sendo proibida de errar, e não, não foi alguém que me proibiu, mas sim eu e minhas exigências. Hoje em dia errar me faz chorar e me odiar profundamente, mas ainda assim fico feliz por agora já conseguir me permitir o erro."
(Eu mesma-Frase inventada agora)

Depois de muito tempo sem conseguir me achar capaz de achar palavras cabíveis dentro do que eu sentia, algo esses dias "desentupiu a pia", acordei cedo como não é de costume, e escrevi. Isso foi ontem, e de lá para cá já escrevi uma caralhada de textos, sobre diversos assuntos, mas como a temática do blog é falar sobre o que está mais encravado dentro do meu peito, resolvi escrever o que sentia no momento, o que eu ando fazendo e sentindo. Negando meus erros, aceitando parte deles e aprendendo a lidar comigo (pra variar).


Para ouvir durante a leitura, foi parte do que ouvi para escrever. Ficadicamiga
~~~~~~~Aceitando o erro (parte primeira);~~~~~~~~~~~

Desenhando concentradíssima na minha falta de técnica, o que me gera um pouco de frustração, porém uma frustração importante. Passo o nanquim justo na linha que liga com a perna do bicho que estou desenhando. Não tenho como apagar, porra!
Aceito o erro, me familiarizo com ele, apesar de inúmeras vezes tentar concerta-lo, a merda do desenho ficou toda borrada. Ainda assim, gostei, não posso negar o filho.


~~~~~~~Aceitando os erros inúmeros (parte segunda);~~~~~

Escrevo um texto, tentando ser profunda, releio o que já escrevi e vi que está extremamente convencional (no fundo eu sou uma quadrada), me sinto uma jornalista de algum jornal da grande mídia. Leio em voz alta com voz de âncora do Jornal nacional, dou risada e mando tudo a putaqueôpariu. Abandono o assunto e parto para outra. Não sou de aceitar convencionalismos em textos profundos. O aceitei dando adeus ao texto, rasgando a folha em pedaços pequenos. As vezes é necessário assumir a merda feita e sumir com ela antes que alguém veja.

~~~~~~~Aceitando as dificuldades impostas pela falta de técnica;~~~~
Desde pequena

Não sou de estudar, acho um saco, e tudo que fica só na teoria me cansa, gosto da prática, acho que só funciono para algumas coisas sob pressão.
Faço um show e desafino, me odeio por dias, não saio da cama, fico no escuro. Depois aceito o fato de que na verdade eu sou uma baita de uma preguiçosa que não gosta de estudar. Aceito e tento modificar...não, de maneira nenhuma vou estudar, apenas quero mais aulas práticas da vida. Saio de casa e me coloco no risco de ter de cantar no meio da rua, cantar na frente de amigos e família (por que cantar na frente de conhecidos é sempre pior). Foda-se a técnica.

~~~~~~~Aceitando as dificuldades da vida pela falta de paciência e aprendendo a perder;

Quero agora, já!
Fiz na hora errada e perdi a chance de fazer bem feito.
Ok, na próxima....ah é, tem coisas que não tem próxima. Perdi.

~~~~~~~Gostando e procurando por erros (parágrafo único)


Minhas

Necessito o cru, e nada mais cru do que o próprio erro grotesco.
Desenho como uma criança, crio seres inimagináveis, com patas e cara de pássaros, asas de morcego com corpo de cachorro, bichos deformados, mini-demônios com caras tristes. Me desenho como eu me vejo (nada mais cruel do que minha visão de mim mesma), desenho meu cachorro caolho sendo ele mesmo.
Fotografo o que ninguém vê, sem foco, mas dizendo o que quero, as vezes gostaria de colocar um texto embaixo de cada trabalho meu, algo explicativo, mas isso soa muito certinho para quem quer ser simplesmente. Eu não explico nada para ninguém, nem pra mim mesma, ajo cada dia mais por impulso dos sentimentos. Por isso sinto necessidade de escrever, assim eu explico no papel o que eu preciso saber sobre como eu ajo.
Já bati tanto na parede tentando fazer o certo. Estou me amando mais agora. Assim, meio gordinha, fora de forma, comilona, preguiçosa, menininho, sem maquiagem, curtindo o que sou no momento, sem cobranças extremas. Descobri que odeio salto alto, e que rímel é algo totalmente estúpido que as mulheres usam para salientar a falta de olhar sincero nelas, nada me angustia mais do que rímel a prova d'água, coisa mais idiota, quero poder borrar meu rímel sem querer quando eu for coçar o olho e andar de pés descalços até que algum caco de vidro ou felpa de madeira entre no meu pé.

~~~~~~~Querendo ser o que nunca fui {fotografia/desenho/fotógrafa de coisas que eu enxergo}
 Medição

Gosto de andar pelada, não me importo em mostrar meus longos pêlos pubianos em público, os deixei crescer para saber como eram, estava sempre depilada e não sabia mais como era minha virilha verdadeira, mas é só o que deixo de pêlo crescer em mim, não sou uma macaca, e nem prego tanto o naturalismo (tudo tem limite).
Hoje em dia não vejo problema algum em filmes pornôs caseiros [algo que eu era completamente contra]. Ver fotos e vídeos com gente pelada é algo que me excita os olhos, sou curiosa, gosto de ver por debaixo da roupa dos que não tirariam as roupas na frente de ninguém, gosto de fazer sentirem-se a vontade a meu lado, e a maioria sente-se, e digo mais, minha imaginação é muito fértil, e a percepção muito acirrada, o nu está além do tirar a roupa, vejo mais gente pelada com roupa do que sem.
Gosto de ver mulheres de verdade se pegando com homens de verdade, não sinto tanto prazer em ver duas mulheres se beijando tanto quanto eu tenho ao ver dois homens juntos. Amo bundas em suas diversas formas, tenho prazer em ver bundas masculinas, e nada mais lindo do que ver um homem nu relaxado e deitado ao meu lado com seu pequeno pênis encolhido pelo frio, ele levanta para ir ao banheiro, vira-se e eu observo atentamente sua bunda enquanto ele caminha. Não é sexual, isso me faz bem, mexe com o sentido masculino da minha vida, e o que ele representa para mim. Assumir e dizer o que quero e como quero me faz bem.
"No momento não quero ser comida por você, apenas apreciar a arte do seu corpo, não fique ereto enquanto eu encosto na sua pele e enrosco meus dedos em seus pêlos, eu não estou excitada por você, mas pela sua pele, e seu corpo exuberantemente diferente do meu." (frase dita por mim para alguém em algum momento da minha vida)
Mulheres, amo, mas está na hora de vocês abrirem suas cabecitas pequenas, ainda que sejam muitas vezes mais tranquilas com seus corpos nus, são quadradinhas demais para minhas bizarrices-criacionais-fotográficas . Acho lindo tudo no corpo feminino, mas a sociedade cria uma necessidade feminina pela perfeição e culto ao corpo, não procuro a perfeição agora, quero o imperfeito nas minhas mãos. Esse é o momento de ter meus homens ao lado, adoro os que são naturalmente gostosos e feios. E essa será a essência do meu trabalho fotográfico-desenhístico.

 ~~~~~~Indo totalmente contra a maré e cuidando de mim;

                                                                   Estudo sobre si

No momento onde vejo que a sociedade esta tentando se modificar e entrar em um acordo comum, me vejo totalmente envolta no meu trabalho e no que sou. Busca implacável por coisas novas também. Quero acariciar e ser acariciada. Busco relações diferentes, onde o respeito seja o principal. Cuidado pelo que o outro é, não deixarei de ser quem sou por ninguém, quero o mesmo para quem esta comigo, que chegue junto quem realmente seja capaz de vir acrescentar, não me tirem o meu melhor.
Prometo fidelidade ao que sou e ao que me faz bem, sendo egoísta, aprendendo a lidar com outros seres como eu e dividindo o que aprendo. Difícil e fácil ao mesmo tempo.

quarta-feira, 30 de janeiro de 2013

Limpando a alma com música

Estava escrevendo a lista de supermercado ontem, sentindo um certo vazio, algo me faltava.
Desde domingo sinto falta de uma música, preciso de uma música que me desafogue os sentimentos, eles estavam espremidos com várias emoções, o episódio fatídico do final de semana ainda me choca e machuca, por mais que eu tente achar uma razão para tudo, e por mais que exista essa razão, meu lado emocional não entenderá.
Então chegou meu amigo Flu, me manda um vídeo lindo do ballet dos pássaros, lindo! Mas ainda assim não é minha música. Tomo mais um mate. Vejo que ele mandou mais um link. Abro, começo a escutar, e me entrego, sinto uma alegria no peito, felicidade que machuca, escuto o filho brincando na sala, e me entrego novamente, entendam isso sem romance, não estou como doida dançando pelo apartamento (ainda), estou simplesmente sentindo a música, por dentro meu corpo estava se deliciando.
A música é uma grande brincadeira, assim meu filho que estava brincando vem ao meu encontro, e pede para dançar. Rodopiamos pela sala enquanto a música tocava suavemente, os cães enaltecidos pulam e latem com alegria (agora sim estou dançando como uma doida). Deito no chão, abraçando meu pimpolho, os cães nos lambem, os gatos nos cantos olhando, observam de longe, com um certo medo de adentrar na brincadeira.
A música termina, a felicidade se mantém, agora mais amena, não tão explosiva como antes. A paz invade a casa junto do silêncio. Eu quase que infantil e bobinha, assim como a música, olho para meu filho e digo que o amo, ele responde com sorriso sincero.
Cada ser retorna ao que estava fazendo, cada um ocupa seu espaço na casa. Eu me volto ao mate amargo, meu filho para a brincadeira de super-heróis, os cães e gatos deitam a minha volta. Tudo normal, não fosse o fato de que a energia de todos esta revitalizada.


Um salve a música, que vem docemente tratar nossa alma quando mais precisamos. Obrigada Flu pelo momento maravilhoso, mesmo que você não tenha estado presente nos proporcionou grande felicidade.

E claro...fiquem com a tal música! :)