sábado, 27 de outubro de 2012

Catando migalhas do chão.

"Some of them want to use you
Some of them wanna get used by you
Some of them want to abuse you
Some of them want to be abused"
(Sweet dreams - Eurythmics)

Enxergando o aeroporto e seus passageiros. 
-Impressões de um aeroporto comum e minhas conclusões precipitadas.-

Gente estressada, pessoas trabalhando dentro de seus computadores portáteis (celulares, ipads, iphones, e seus derivados). Homens engravatados e/ou com camisas abotoadas até em cima, no alto do abafamento porto alegrense. Cabelos penteados, pintados, escondendo suas madeixas brancas, carecas, alguns ainda com uma meia dúzia de fios por cima do couro cabeludo, e ainda assim resolvem penteá-los para trás. Todos correm e franzem suas testas/carecas (sim elas acabam se confundindo nunca sei onde acaba uma e começa a outra).
Pensei do canto de uma cadeira, uma das últimas cadeiras que tinha vaga para sentar no embarque, outra coisa notável num aeroporto é como as malas dos passageiros gostam de sentar nas poltronas, são sacolas, bolsas, mochilas, laptop, tinha até um copo de café "sentado" numa cadeira, foi onde pedi para que o Sr. fizesse o favor de tirar dali o copo vazio, para que assim eu pudesse me sentar, ele com a cara feia retirou o copo e voltou ao seu notebook, ao mesmo tempo em que discutia bravamente com algum colega sobre algum negócio muito importante. Sentei. Logo em seguida senti um cheiro desagradável, vinha do lado desse mesmo homem, notei que enquanto ele falava o cheiro de esgoto exalava de sua boca. - Muito tempo sem comer meu Sr. com cabelo pintado, alimente-se-. Pensei eu olhando de canto.
Observei as pessoas, me divertindo sempre ao ver como elas são previsíveis, e achando triste certos fatos, ao notar como a qualidade de vida de pessoas relativamente "normais", dentro dos padrões estabelecidos pela sociedade, estão decadentes. Do que adianta viver com esse tipo de vida se não se existe prazer nenhum de se viver realemente? A não ser aqueles prazeres supérfluos, como os de comer porcarias no final de semana (sim a maioria é obesa e sedentária).
Observei atentamente, e dei-me conta, não havia nenhum ser com uma caneta que fosse na mão, nem uma folha de papel, nenhum bloco de nota, nenhum livro, nada que fosse material. Escritas pegáveis, com aquele cheiro de folhas (livros, vocês lembram o que é isso?), álbuns de música, com nome do artista impresso, com imagens que remetam ao que significa seu trabalho, que tenha o toque, gosto de sentir, de tocar, meus artistas favoritos, eu quero tocá-los, realizo minha fantasia, ou chego mais próxima de realiza-las ao tocar em seus trabalhos.
Enfim, voltando ao assunto principal, sim, eu era a única escrevendo com caneta e um bloco de notas surrado, mas não porque eu queira parecer contra a tecnologia ou algo parecido (afinal, eu nasci em meio a toda a tecnologia, nem saberia viver sem ela!), faço isso por preguiça mesmo, mais fácil pegar a caneta e o bloco que estão no fundo da bolsa do que o note que esta fechadinho  na malinha.
De qualquer maneira me senti antiquada, me dei conta do quanto não vivo nesse ritmo "normal", essa pressa me irrita, me tira do eixo. Laptop, celular tocando, e-mail cheio, dor de cabeça, e o facebook me perseguindo..."Welcome to the real world little girl".
- Todos querem você, todos querem um pedacinho do que você possa dar.-
Me deu uma certa falta de ar.
Subi no avião no meio da escrita, um pavor depois de um telefonema desmarcando coisas, mudanças de planos bruscas, me adapto e sigo em frente.
Continuo....
Lembrei, que sou uma pessoa super estressada, nessa rotina dos últimos dias (rotina? oi?), não tenho programado nada, tudo vem acontecendo, eu tenho me deixado ser levada para onde a maré quiser me levar, porém, não posso negar, tenho perdido cabelos como nunca ultimamente, e minha pele também esta sofrendo as consequências da minha falta de cuidado com o corpo e alma.
Não, não estou reclamando, a vida vai bem, obrigada! Encarem isso apenas como um espelho onde me observo, minha escrita é de auto-ajuda, minha auto-terapia, e vocês são os analistas que nunca dirão nada, não quero a opinião de ninguém, só quero meu espelho, sou observadora, assim como observo os "tios" do aeroporto, também me observo atentamente. Agora vejo uma semelhança entre eu e eles, nos períodos de muita função também franzo a testa, fico irritável e não me cuido, talvez até eu pareça um pouco com os homens-carecas-barrigudos-trabalhadores-viajantes, mas só em espírito, na aparência espero nunca parecer com eles!

Ok, minha relação com aeroportos nunca foi muito amigável, por enquanto não mudei. Ainda.

"Hold your head up, movin' on
Keep your head up, movin' on."

Escutem...