sábado, 15 de setembro de 2012

Dando-se conta de que "vomitar" faz bem



Quantas vezes eu choro, esperneio, brigo, odeio, me distancio, cuspo palavras ofensivas na cara de pessoas, e sim, tenho me sentido bem com isso!
Do ódio incansável a paz interior, é o que treino desde que me conheço por gente. Sempre tive ataques de "fúria" interna, quando pequena isso me gerava tanto desconforto que eu sentia uma forte pressão entre os dentes, me embrulhava o estômago e não respondia aos outros, apenas pensava, nunca soube como agir quando me sentia com raiva, humilhada, com vergonha, a primeira atitude que eu tinha era de fugir, corria, corria, até achar algum lugar seguro de todos aqueles sentimentos. Só não sabia que dessa maneira eu não estava apagando ou fugindo do sentimento e sim alimentando-o, ele ficava ali dentro, num cantinho mas permanecia intacto e crescendo como um bebê dentro da barriga de sua mãe.
Lembro de um episódio em que tive esse desconforto bem forte, eu brincava com uma amiguinha do prédio na praça, e não me recordo ao certo, mas acho que ela falou que gostaria de ir na minha casa, eu não queria, pois ela me sufocava, tirava minha privacidade, mexia nas minhas coisas, e eu sentia "vergonha alheia" dela, mas ao invés de tomar uma atitude e dizer que não gostaria, eu fugi, corri da praça a porta do meu prédio, chamei minha mãe no interfone e pedi para que ela abrisse a porta, foi tudo extremamente calculado pela minha cabeça, e daria tudo certo se a minha mãe tivesse aberto a porta quando eu pedi, mas não, ela me questionou, "porque Isa? Aconteceu alguma coisa?", eu ofegante, sentindo que a "malinha" estava me alcançando, já pensava em alguma desculpa, respondi para que minha mãe esquecesse o ocorrido, que apenas abrisse a porta. Minha amiga chegou, acho que o nome dela era Fernanda, perguntou o que tinha acontecido e eu mais uma vez vacilei, inventei outra história e deixei ela entrar na minha casa. Aquilo me fazia mal, me corroía por dentro, não gostava dela na minha casa, mas também me fazia mal não contar a ela que eu odiava mil atitudes que ela tinha quando me visitava.
Sempre penso que podemos ajudar na mudança dos outros, com pequenos gestos, grandes discursos, ou um forte tapa na cara seguido de muitas palavras duras mas verdadeiras. Eu poderia ter feito a Fernanda ser menos mala se eu tivesse dito o que ela me fazia sentir? Será que ela já perdeu algo por ser assim, além da minha amizade?
Me chateio quando as pessoas me falam a verdade nua e crua, mas prefiro os que me falam aos que não me falam nada e me deixam batendo com a cabeça na parede.
Hoje em dia eu procuro sempre falar o que sinto realmente, meus amigos sabem bem disso! Eu me sinto melhor e eles também.

Obrigada aos amigos e inimigos que me ensinaram a "vomitar" verdades!

Ahh música com o clipe que mais tem a ver com esse sentimento de fugir....vejam!